REVISTA SÃO MAMEDE

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

POLÍTICOS DEITAM E ROLAM E TEMOS QUE FICAR CALADOS

É engraçado como no Brasil as coisas acontecem. A maioria das Leis editadas, ao invés de virem de encontro às necessidades e aos anseios do povo, vem, justamente, em benefícios dos ricos e dos poderosos. Às vezes, uma simples lei ou norma emitida por qualquer autoridade ou colegiado contraria a própria Constituição. Mesmo não sendo advogado, mas, por sentir na pele essas idas e vindas das normas ditas legais, sinto-me forçado a reconhecer que as leis brasileiras, em sua maioria, primam em beneficiar classes já privilegiadas, em detrimento da maioria que, a reboque de tais decisões, tem que engolir calada as arbitrariedades impostas de cima pra baixo.
Esse comentário vem a proposito das normas relativas à atual campanha, que visam a próxima eleição de 5 de outubro. Segundo uma delas, fica vedada à imprensa criticar candidatos, coligações ou partidos, sujeitando-se, às sanções penais quem proceder em contrário. A nossa já tão remendada Constituição de 88, prega que é livre a manifestação, desde que obedecidas determinadas  regras, tais como  difamação ou calúnia, caso em que o manifestante será punido de acordo com a transgressão. Até ai, tudo bem. Quem denuncia, tem o ônus da prova e, não fosse tal determinação, passaríamos a viver num verdadeiro mar de fuxicos, dando oportunidades a denúncias infundadas, a torto e a direita. No entanto, nessa última campanha, apareceram novas normas, dentre elas aquela que castra, totalmente, a ação da imprensa, não permitindo críticas aos envolvidos no processo eleitoral.
Sabendo disso, os políticos, principalmente os candidatos mal intencionados – e olhe que são muitos -, deitam e rolam no exercício de práticas condenáveis; o fazem sem terem nem mesmo o cuidado de se ocultarem, o fazem às claras, desafiando o poder da imprensa livre de cita-los, de editar matérias que levem ao conhecimento do público as suas maracutáis. Enquanto juízes sérios se preocupam com a compra de votos, por exemplo e, só podem agir depois de provocados, a norma vigente nos proíbe de fazer a denúncia. E aí vai a pergunta: se a imprensa está castrada no desempenho lícito de suas funções, contrariando a própria Constituição, quem diabos vai sair de casa em busca do Fórum, para comprar uma briga que poderá prejudica-lo amanhã? Será que os “malacos” que usam e abusam do direito de transgredir à Lei vão fazer denuncias contra quem age da mesma forma que eles? Naturalmente, que durante a campanha, alguns vão induzir seus “paus mandados” a fazerem pequenas reclamações, mas, nada que possa trazer-lhes constrangimento em caso de revide do adversário. Políticos manjados como alguns que andam por ai pregando honestidade e pudor, sabem perfeitamente, que não podem agredir mortalmente a honra do adversário de hoje, pois, a falta de vergonha é tanta, que amanhã poderão estar juntos e misturados, comendo no mesmo prato, mijando no mesmo penico e arquitetando armadilhas que mais uma vez prenderão o eleitor incauto.
E isso não será nenhuma novidade. Os exemplos pululam Brasil a fora e, aqui mesmo, nesse pobre rincão paraibano, os vemos aos montes. Gente que vivia se digladiando, trocando farpas e às vezes até processos, esquece as ofensas e se abraça com o ex-desafeto, como se fosse dele amigo desde a infância, como se nada houvesse acontecido entre ambos, até mesmo em passado não muito remoto; gente que se coligou, jurando amor eterno, fazendo rasgados elogios ao correligionário de momento, hoje desdiz tudo o que pregou; o que ontem era a salvação, hoje é a praga que dizima. Há os que, em tendo registrado candidatura em tal legenda, contrariando os princípios básicos da fidelidade, publicamente defendem aqueles que deveriam criticar, sobem em palanques de adversários, alguns tendo até o desplante de se deixarem fotografar, sem nenhum receio de serem punidos. E, na verdade não o serão. Como a trairagem impera e, na ânsia de lograrem êxito em suas campanhas, eles sabem que a grande maioria – há os éticos, é claro – faz o mesmo, se não a olhos vistos, mas, por debaixo do pano.  Essa é a pratica  corriqueira de muitos dos nossos políticos.
Tudo isso nós vemos, nós testemunhamos, nós ouvimos dizer. O que não podemos é dar nome aos bois. Se assim o fizermos, sofreremos a ira do denunciado que, arrodeado de advogados competentes e bem remunerados nos farão pagar o novo e o velho: ou vendo o sol nascer quadrado ou lavanda sanitários de hospitais e cadeias,  coisas que ao invés de nós, eles é que deveriam assumir.
Mas, paciência. Se lei é pra ser cumprida, mesmo que venha em benefício de quem não a merece, vamos cumpri-la. Enquanto isso, sem as denuncias que somente orientariam o eleitor, deixemos o barco correr. Um dia, quem sabe, a carrapeta possa mandar no pião.
José Augusto Longo

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