REVISTA SÃO MAMEDE

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Lindbergh e Moro trocam farpas no Senado em discussão sobre abuso de autoridade


BRASÍLIA - Líder da minoria no Senado, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) acabou protagonizando o primeiro embate direto com o juiz Sérgio Moro, com réplicas é tréplicas. 

O petista criticou as ações de Moro no caso da conduções das investigações contra o ex-presidente Lula e na divulgação de áudios de conversas de Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff. 

Agitado e movendo os braços, Lindbergh disse que Moro agiu de forma ilegal ao divulgar as gravações.



- Tem abuso de autoridade no Judiciário também. O caso do presidente Lula, das conduções coercitivas. Ele não iria depor? 

No caso do Lula, o que fizeram? Um grande espetáculo. O senhor disse que era para garantir a segurança do Lula e o levou para o aeroporto, mas houve briga de grupos lá. 

E a divulgação das conversas é inaceitável. Para quê divulgar as conversas da primeira-dama (Marisa Letícia), da sua nora, conversas íntimas?

- questionou Lindbergh.

Irônico, o petista exemplificou:

- Vossa Excelência gosta muito dos EUA. Mas imagina um juiz do Texas gravar uma conversa do Bill Clinton e divulgar?!

E disse que Moro agiu de forma ilegal ao divulgar a gravação de Lula, que teria sido feita depois da hora do encerramento da operação.

- Foi uma gravação ilegal. Vivemos uma escalada autoritária, atentado ao estado democrático de direito. Uma lei contra abuso de autoridade é uma necessidade, é uma urgência - defendeu.

O petista disse que o PT e organizações se esquerda são perseguidos na Lava-Jato.
- Está na cara que tratam as organizações de esquerda e o PT de forma diferenciada. Rui 
Barbosa dizia: a pior ditadura é do Judiciário, porque contra ela não há a quem recorrer - afirmou o senador.

Prestando atenção, Moro pediu direito de resposta.

- Fico preocupado. Há essa afirmação de que o projeto não tem nenhuma intenção de frear a Lava-Jato. Mas está se afirmando que cometi abuso e que devo ser punido. Há uma intenção clara que seja utilizado especificamente para criminalizar pessoas da Lava-Jato. 

Ficou claro no discurso do senador - disse Moro, ressaltando:

- É essa a intenção do projeto ou não é?

O juiz disse que suas decisões foram chanceladas por tribunais, inclusive o Supremo Tribunal Federal (STF).

Lindbergh rebateu, em seguida.

- Só quis dizer que isso não está acima da lei. Vossa Excelência é uma autoridade que não está acima da lei, assim como nós - disse o senador.

Em réplica, Moro garantiu que nunca teve a pretensão de estar acima da lei.

O senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) tentou reclamar do debate na sessão, mas o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), perdeu a paciência.

- Se essa sessão não é um debate, o que é?

Pouco antes, Renan até defendera Moro.

- Não há como comparar as Mãos Limpas com a Lava-Jato, em favor da Lava-Jato - dissera Renan.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

SEU COMENTÁRIO SERÁ ENVIADO PARA MODERAÇÃO E QUALQUER OPINIÃO AQUI EXTERNADA SERÁ DE INTEIRA RESPONSABILIDADE DO AUTOR. MUITO OBRIGADO!