REVISTA SÃO MAMEDE

quarta-feira, 20 de maio de 2020

SE DER ERRADO A CULPA É DO DOENTE? Diretor científico da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), José Antônio Baddini, afirma que "existe uma politização do uso dessa droga" que, em sua visão pessoal e não da entidade, se assemelha ao populismo

Cloroquina e hidroxicloroquina para covid-19? Que história é essa ...
Já o diretor científico da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia), José Antônio Baddini, afirma que "existe uma politização do uso dessa droga" que, em sua visão pessoal e não da entidade, se assemelha ao populismo.

"O que a gente precisa é de isolamento social, leitos de UTI [Unidade de Terapia Intensiva], respiradores de qualidade e profissionais treinados para dar o melhor atendimento aos pacientes. A cloroquina não pode ser vendida como a panaceia", afirma.



Diretor da Sociedade Paulista de Infectologia, o médico Evaldo Stanislau diz que a medida parece "imposta". "É uma medida ditatorial, de força, que acalenta o pensamento mágico de uma parcela de médicos não afeita à metodologia científica", afirma.



Baddini afirma que essa medicação deveria ser usada "exclusivamente em pacientes graves e em ambiente hospitalar", diz.



"A droga deve ser avaliada pelo médico caso a caso, e se ele achar que os benefícios suplantam os riscos, deve usar."



A responsabilidade é do doente?



O governo também preparou um termo de consentimento que o paciente terá de assinar para receber os compostos no tratamento. O termo admite que "a cloroquina e a hidroxicloroquina podem causar efeitos colaterais", citando disfunção cardíaca e alterações na visão, por exemplo.



"Com esse termo a responsabilidade fica sendo do doente?", questiona Baddini. "Significa que se ele tiver problema não deve dizer que o Ministério da Saúde cometeu um erro porque ele sabia que estava ocorrendo risco. Mas o paciente não estava embasado em conhecimento, mas na esperança que foi criada."



Para Grinbaum, da SBI, o governo usa o termo para tirar de si a responsabilidade sobre o protocolo publicado hoje. "Se eles tivessem certeza de que a medida é segura, esse termo não seria necessário", diz.



Ele acredita, no entanto, que o documento "não livra o governo nem o médico de responsabilidades". "O médico tem a liberdade de prescrever ou não. Ele não é obrigado mesmo que o paciente peça. É o especialista quem sabe o que pode ser bom para o bem-estar do doente."



Mesma dosagem para todo os casos.


O documento recomenda quase que as mesmas doses do remédio para casos leves, moderados e graves. Para Grinbaum, "a dosagem é o de menos porque ninguém sabe qual é a dose eficaz".

Baddini diz que o assunto ainda está "no campo das opiniões". "A verdade é que não sabemos qual deve ser a dose porque não há pesquisa científica suficiente para isso."

Ele chama a atenção para o fato de o protocolo do governo recomendar o uso das vitaminas D e Zinco. "Também não há evidência de que elas sejam boas ou ruins contra a covid-19.

*Colaboração Nathan Lopes.